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Curiosidades

Bactéria no intestino do peixe-boi digere açúcar que quase nenhum micro-organismo consegue processar

Estudo brasileiro publicado na Nature Microbiology mapeou a microbiota de 47 animais e encontrou uma via metabólica inédita.

O que se sabe

  • Pesquisadores do CNPEM encontraram no peixe-boi-da-amazônia bactérias que digerem a epilactose.
  • A epilactose é um carboidrato inacessível para a grande maioria dos micro-organismos conhecidos.
  • O estudo analisou 47 animais, entre peixes-boi-da-amazônia e peixes-boi-marinhos.
  • As enzimas descobertas podem ter uso no processamento de resíduos agrícolas.

Como um animal que pode pesar até 450 quilos se sustenta comendo só plantas? Parte da resposta está no intestino do peixe-boi-da-amazônia. Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) identificaram, na microbiota da espécie, bactérias capazes de digerir a epilactose, um carboidrato que a grande maioria dos micro-organismos conhecidos não consegue aproveitar.

Segundo a Agência FAPESP, trata-se de uma via metabólica inédita na natureza. Os resultados foram publicados na segunda-feira (2) na revista científica Nature Microbiology.

Como foi feito

A equipe analisou amostras de 47 animais: 36 peixes-boi-da-amazônia mantidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, e 11 peixes-boi-marinhos em reabilitação no Ceará, na ONG Aquasis. Assim como as capivaras, os peixes-boi fazem a fermentação das plantas principalmente depois do estômago, o que torna os micróbios do intestino essenciais para extrair energia de uma dieta rica em fibras.

De acordo com os pesquisadores, as novas enzimas encontradas abrem caminho para aplicações em biotecnologia, como o aproveitamento de resíduos agrícolas.